AUTORA: DRA CLAUDIA FERREIRA »
A Ortomolecular tem sua origem teórica por volta de 1930, com Linus Pauling, que defendia o uso de vitaminas como suporte bioquímico para atuar positivamente sobre as reações celulares do organismo. A Prática Ortomolecular como conhecemos hoje tem sua origem nos anos 1960.
Orto = Equilíbrio
Molecular = Moléculas
A Prática Ortomolecular visa adequar o “terreno biológico” através do uso de nutrientes necessários ao equilíbrio das moléculas e suas reações bioquímicas e biofísicas.
Esses nutrientes podem ser: Minerais, Vitaminas, Ácidos Graxos, Aminoácidos e Nutrientes diversos. Os Minerais, por exemplo, como Cálcio, Selênio, Zinco, Magnésio… estão envolvidos em diversos processos bioquímicos e biofísicos do organismo, e ainda possuem atividade elétrica na forma de íons. A falta de minerais pode levar a quadros de déficit de energia corporal, o que compromete o processo de auto-regulação corporal.
Conhecer as vias metabólicas e avaliar a necessidade de reposição de alguns desses compostos nutrientes para a correção do “Terreno Biológico” é o objetivo da Prática Ortomolecular. Ela envolve os mesmos princípios diagnósticos e terapêuticos da Medicina Convencional. Diferencia-se por oferecer nutrientes adequados, que, inclusive, podem se associar a fármacos alopáticos em determinadas situações, otimizando e até reduzindo seu uso. Muitas vezes, um fármaco não consegue o resultado terapêutico desejado por ter alguma via bioquímica relacionada à causa da doença tratada inadequadamente por déficit de nutrientes. Por exemplo, pode acontecer de o tratamento do hipotireoidismo precisar de doses crescentes de reposição de hormônio tireoidiano, mesmo assim sem alcançar bom resultado. Se for associado à reposição de minerais associados à função da tireoide, os resultados podem ser mais eficazes.
Muitos perguntam se não seria suficiente consumir esses nutrientes pela dieta, sem necessidade de reposição por cápsulas. Não. Por algumas razões:
- As doses necessárias para reposição são calculadas e mais eficazes do que os nutrientes contidos nos alimentos. A quantidade de alimentos consumidos para alcançar doses terapêuticas de alguns nutrientes teria que ser muito grande e impossível de aderir.
- Alguns nutrientes precisam ser usados respeitando o ritmo circadiano, em horas definidas, para aproveitar seu metabolismo. Alguns em jejum para ter melhor absorção.
- Nosso solo não oferece determinados nutrientes em quantidade e qualidade adequada para as necessidades corporais, como no caso de alguns minerais como Magnésio. O problema fica mais grave com alimentos cultivados em solos tratados por Agrotóxicos e vegetais que sofrem processo de Transgenia, práticas que expoliam nutrientes.
- A absorção de nutrientes da dieta exige uma Microbiota competente, o que nem sempre está presente. Em alguns casos, inclusive, a própria reposição Ortomolecular é mais eficaz por via venosa.
Outra pergunta frequente é quanto à necessidade de dosar os nutrientes no sangue antes de fazer a reposição. Nem sempre. A análise quantitativa no sangue não expressa o que está acontecendo nos tecidos e nas células. Algo como dosar a água do rio para saber a composição do solo, o que seria ineficaz. O Magnésio, por exemplo, concentra-se em cerca de 98% dentro da célula, apenas 2% no sangue periférico. A dosagem do Magnésio dentro da hemácia consegue fornecer parâmetros mais aceitáveis.
Por fim, a Prática Ortomolecular é uma ferramenta que pode dar suporte terapêutico otimizando vias bioquímicas e biofísicas no organismo, enquanto se busca corrigir as causas do problema a ser tratado. É também uma via de reposição de nutrientes que não obtemos na dieta. Uma via de reposição de nutrientes para pessoas que não conseguem mais extraí-los espontaneamente da dieta, como no caso de pessoas idosas. Além de cooperar com a resistência do organismo às diversas agressões externas por agressões tóxicas presentes no dia a dia.